26 Jun

MPA no Brasil. Verdades e Mentiras

Fabio Mazzarino

Doses Diárias, Economia, Internet, Política, Software Livre - -

Pinóquio

O diretor da MPA (Associação das Produtoras de Cinema) Greg Frazier esteve no Brasil há uma semana para tentar convencer deputados e senadores a apoiar, ainda mais, suas idéias sobre as leis de direitos autorais e o combate a pirataria. (MPA não é MPAA, apesar de dividir o mesmo website)

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Greg Frazier respondeu algumas perguntas, seguindo sempre o mesmo discurso da MPAA nos EUA e no mundo. E como sempre defendeu alguns assuntos justos, e proferiu algumas mentiras.

No melhor estilo Paulo Maluf, absteve-se de opinar de alguns assuntos lançando respostas completamente desconexas das perguntas, mostrando que ao ser confrontado com algo que não apoia sua causa prefere fugir que a confrontar suas afirmações. Normalmente este tipo de atitude é diretamente associado com pessoas que defendem causas que não tem comprometimento com o justo.

A principal mentira defendida, não somente pela MPA, através de seu diretor, mas também pela MPAA, pela RIAA, e qualquer outro representante da indústria fonográfica no mundo todo, é com relação ao montante perdido em faturamento e impostos devido a cópia não autorizada de seus produtos. Os números anúnciados foram de que a indústria brasileira deixou de faturar US$ 24 bilhões, o equivalente a, no mínimo, R$ 14 bilhões em impostos.

O que Greg Frazier não mencionou, nem o repórter, é que este montante é calculado com base no volume de cópias não autorizadas vendidas, volume que não se repetiria se fossem praticados os preços cobrados pelas produtoras.

A realidade, que nenhuma indústria fonográfica ou de cinema quer enxergar, é que a população, em geral, tem necessidade de consumir, mas os preços cobrados pela reprodução digital de dados são muito altos. Os custos para reprodução digital são tão baixos que é fácil encontrar em um camelô um DVD por 1/5 do preço do de uma loja.

Ao ser questinado sobre a possibilidade dos artistas utilizarem os CDs e DVDs, exclusivamente como forma de divulgação de seu trabalho, ganhando dinheiro exclusivamente com shows e apresentações, Greg Frazier tomou uma atitude típica de quem conhece a verdade, desconversou, mudou de assunto e não respondeu a pergunta.

Dentre as verdades proferidas está a que dá título a matéria: “A pirataria pode levar ao fim da indústria do cinema”. Exatamente, a indústria do cinema, da maneira com que é organizada hoje, se não se adaptar a nova realidade, poderá se ver extinta caso a pirataria seja levada ao extremo. Outra realidade é o fato da pirataria de DVDs estar prejudicando as locadoras, afinal de contas, quem quer alugar um DVD por R$ 8,00 se na esquina vende-se a 3 DVDs por R$ 10,00?

No final da entrevista Greg Frazier deixou bem claro a preocupação da MPA com as produtoras de cinema não-norte-americanas, deixando bem claro que não apoia cotas para incentivo de produções de cinema locais, tal como acontece no Brasil. Isso sem lembra que os US$ 200 milhões investido em produções nacionais só se tornaram rentáveis devido a leis de incentivo em voga há mais de uma década.

A indústria de etretenimento encontra-se numa encruzilhada. Ou deixa a tecnologia avançar e se aproveita dos novos avanços, ou se amarra em legislações e fiscalizações, para manter o status quo, atrasando a tecnologia. A história já nos mostrou que não é possível parar o desenvolvimento da tecnologia. Qual será o caminho certo?

Fonte: Jornal Folha de São Paulo - 26/Jun/2008

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Comentários

1 Comentário to “MPA no Brasil. Verdades e Mentiras”
Rodrigo:
June 26th, 2008 às 9:22 pm

R$ 8,00 o aluguel de um DVD? Cidade grande é uma m…. mesmo. Eu moro no interior de SP e aqui o aluguel é de R$ 2,00 o lançamento. Filmes mais antigos custam apenas R$ 1,00. Que diferença hein?


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