16 mai

Porque a MS não é a SCO

Fabio Mazzarino - 16/mai/2007

Doses Diárias, Microsoft, Software Livre -

Não Chore MS

Depois das recentes declarações da Microsoft (MS) à imprensa, referente às violações de diversas de suas patentes por diversos softwares livres, inclusive Linux, x.org e OpenOffice (veja mais aqui, aqui e aqui, dentre diversos outros), muitos já estão anunciando que a MS vai seguir o mesmo caminho da SCO, que recentemente foi excluida da NASDAQ, devido a baixa performance de suas ações.
O motivo desta comparação é claro, muitos pontos em comum são aparentes:


1. Acusações sem provas – Ambas fizeram acusações de violações de copyright, criaram um frissom muito grande, mas não apresentaram provas até o último momento. As acusações eram tão fracas que um juíz chegou ameaçar punições a SCO caso não apresentasse provas concretas de suas acusações.

2. Briga de Gigantes – Ambas apontaram seus advogados contra empresas realmente grandes, como IBM, RedHat, ou Novell, esta última somente no caso SCO. Envolvendo os melhores advogados que o dinheiro pode comprar qualquer causa mal fudamentada cai por terra facilmente.

3. Premissas Fracas – Ambas empresas baseiam suas acusações em premissas fracas, difícieis de serem sustentadas. Muito do código apresentado pela SCO havia sido publicado anteriormente sob licenças BSD. Muitas das patentes da MS não foram invenções ou inovações dela própria, mas somente registradas primeiro pela MS.

Apesar das semelhanças dificilmente o resultado será o mesmo. O caso da MS tem diferenças fundamentais que evitarão que o fim seja o mesmo.

1. Produto – A SCO não tinha uma linha de produtos de grande aceitação. Seu produto mais popular era o SCO Linux, antigo Caldera Open Linux, que perdeu o direito de utilizar a marca Linux ao fazer suas acusações. Uma vez comprovado que as acusações não se sustentavam a SCO passou a não ter mais produto, nem apoio popular

2. Acusações – As acusações da SCO foram referentes a código similar. Os trechos de código apresentados pela SCO haviam sido distribuidos pela própria sob a licença GPL, tese facilmente derrubada no tribunal. A MS está acusando de violação de patentes, são registros bem documentados de quem registrou uma idéia primeiro, e neste caso a MS tem a vantagem de todo o sistema de patentes norte americano. A MS tem razão até que se prove o contrário.

3. Alvos do Processo – A MS já anunciou que não irá processar usuários de Linux, sejam pessoas físicas ou jurídicas. Diferentemente da SCO que acabou por processar empresas de grande porte como a Daimler-Chrysler, aumentando suas chances de insucesso, uma vez que a responsabilidade pelo produto que utilizava era do fabricante, ou distribuidor, e não do usuário final.

4. Aliados – A SCO entrou na briga sozinha, apesar de financiada indiretamente pela MS. Já a MS está aliada a Novell, que já se mostrou uma boa apazigüadora, tentando diminuir o impacto (traduzido) dos últimos acontecimentos.

A imprensa está sendo muito cética com relação a estas ameaças (veja mais no IDGNow!), aceitando as ameaças como prova que a MS está se vendo seriamente ameaçada pelo software livre, e tentando atitudes desesperadas e arriscadas demais.

Na verdade tudo não passará de um grande boato gerado pela própria MS no intuito de melhorar suas vendas, diminuindo as vendas de Linux. Dificilmente estas acusações chegarão a tribunais brasileiros.

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